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Caneta e Papel: Habilidades do criador de histórias

  Eu sou um amante de boas histórias. Desde criança, quando a realidade parecia difícil demais para suportar sozinho eu mergulhava em universos e histórias fantásticas, é o que todo mundo faz. Histórias inspiram.

 Com o tempo percebi também o potencial que todos nós carregamos para criar histórias, observe as crianças soltando sua imaginação em brincadeiras, os funcionários em seus comentários rotineiros sobre os problemas da empresa, as hilárias e devassas conversas de bar com amigos próximos.

 Laços, nossas relações sociais, são uma fonte inesgotável de boas histórias.

  A memória se organiza de forma narrativa, um protagonista age de acordo com as consequências de suas escolhas e as respostas do mundo para suas ações, ou seja, você se lembra de alguém em algum lugar fazendo algo, quando algo inesperado acontece. (É o roteiro básico de qualquer conversa).

 O ato de contar histórias está entranhado em nossas mentes mentes, arrisco dizer que está no instinto e define a cultura humana, talvez por isso consumimos esse tipo de entretenimento massivamente.

  Mas mesmo com aptidão natural essa não é uma arte simples, criar histórias está além da linguagem, é um ato complexo de estudo, observação e exige um mergulho profundo na experiência humana e encontrar a sua verdade que merece ser compartilhada. É um exercício de empatia.

  Construir um universo que será habitado por seres ímpares exige sentir e ser sentido, estudar esses sentimentos e esmiuçá-los de uma forma que emergirão em uma voz única e capaz de provocar sentimentos diversos no público, usando a estratégia de um aprendizado contínuo com pesquisas e leituras rotineiras.

  Nas palavras de Robert Mackee "Para a maioria dos escritores, a sabedoria que eles ganham da leitura e do estudo iguala ou supera a experiência, especialmente se essa experiência não for estudada. Autoconhecimento é a chave - a vida mais uma reflexão nas nossas reações a vida". O criador que se preste a essa arte deve estar sempre em reflexão sobre as ações e reações inerentes a ser humano.

  O resultado é uma obra que está em constante diálogo com os sentimentos da audiência, o autor deve ter em mente o real objetivo da plateia, que não busca apenas mero entretenimento, mas também uma vontade extrema de enxergar as nuances da vida sob um novo ponto de vista.

 Não é uma fuga da realidade, mas encontrar a realidade sob uma nova perspectiva.

  A busca por boas histórias é a eterna busca por nossos significados e nossas verdades pessoais inseridas no plural da sociedade.

  A missão primordial de um bom contador de histórias é mostrar sua visão sobre o mundo e a vida, tocar profundamente quem recebe está mensagem criando um vínculo e  promover o crescimento de seu público (mesmo que for só algumas risadas) aplicando toda sua criatividade e conhecimento. 

Estudo sempre é a chave pra uma boa storytelling.

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