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Caneta e Papel: Estrutura narrativa - Cenas e Atos

  Você pode ter as habilidades técnicas de um José de Alencar ou uma narrativa viva como Machado de Assis, mas isso não é a certeza de que conseguira atingir o coração do público.


 Mesmo se seus diálogos forem inesquecíveis e  personagens cativantes, ou conflitos emocionantes , ainda assim se suas cenas não avançarem a história seu esforço de nada adianta.

 Você cria toda a história de vida dos personagens, mas são os momentos mais importantes que deve mostrar, os mais interessantes - seleciona essas cenas e elas mostram todas as nuances de suas criações, do mundo construído e irá exprimir as verdades do autor.

 E essas verdades são a alma do contador de histórias,  é a sua visão de todas as experiências que compõe a vida, desde as palpitações do amor e o desgosto da rejeição, até felicidade regojizante e a tristeza aprisionante, tudo aquilo que pode ir de um extremo a outro na experiência humana  e promove mudança, além de ser alcançado através de um conflito.

 Uma cena é um evento.

 Algo que ajuda o esforço criativo do criador é escrever as cenas de forma a inverter os valores da verdade dos personagens em qualquer grau e de forma perceptível: toda a cena deve virar a vida dos personagens de alguma forma em menor escala, assim um conjunto de cenas muda a situação do personagem de forma ainda mais significativa e a isso denominamos sequência.

 Então organiza-se sequências de forma a culminarem em uma cena de enorme significância, algo que muda de uma vez todo o andamento da história, isso é um ato. Por fim se organizam os atos de forma a atingirem o clímax da história.

 Essa estrutura deixa claro o caminho que autor deve percorrer parar criar sua história.

 Personagens interagem com ações e diálogos gerando conflitos que formam os eventos ao concluir a cena, organiza-se várias cenas em uma sequência lógica para desenvolver mais os personagens, quando organizamos algumas sequências adicionamos uma cena de enorme significância para que seja fechado um Ato. Esse padrão segue até o clímax e conclusão da história.
 
 Uma famosa estrutura narrativa é a de 3 atos, esse conceito surgiu com Aristóteles em sua obra Poética que dividia uma narrativa em três grandes momentos distintos: prólogo, episódio e êxodo -  o que conhecemos hoje por começo, meio e fim:

Começo: A introdução (1º Ato) -  Apresenta os personagens e seu mundo e culmina em um primeiro ponto de virada que complica a vida dos personagens.

 Meio: Desenvolvimento(2º Ato) - São as consequências e atitudes advindas do primeiro ato e culmina em um segundo grande ponto de virada, o clímax da história - O momento que a esperança é difícil de sustentar

 Fim:  Conclusão (3º Ato) - A resolução dos personagens e seu retorno ao lar.

 Do menor escopo para o maior: interação dos personagens -> formam conflitos ->  formam cenas -> Formam sequências -> Formam atos.

 Cada um desses elementos se complementam e estruturam a história de forma a ser compreendida por qualquer pessoa, é a organização básica da própria lembrança humana, o autor deve estar sempre escolhendo cada interação de personagem, cada cena, tudo deve ter um motivo, despertar sentimentos e o objetivo de avançar a narrativa.



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